Um dia, talvez deixe de me doer

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Um dia, talvez nos reencontremos. Um dia, talvez os nossos olhares se deixem ficar abraçados, mergulhados um no outro. Um dia, talvez as nossas mãos se entrelacem e, uma dentro da outra, dancem. Um dia, talvez nos abracemos, de novo, sem nos preocuparmos com o tempo que demoramos nesse abraço. Um dia, talvez voltemos a acreditar e a querer lutar um pelo outro.

Um dia, talvez as saudades deixem de me apertar e de me impedir, mesmo depois de todo este tempo, de respirar. Um dia, talvez as memórias não sejam mais fantasmas de ti, que deambulam por aqui, à minha volta, em qualquer lugar. Um dia, talvez o choro deixe de vir do âmago; se torne mais suave, mais límpido, mais contido. Um dia, talvez a dor se torne suportável, branda. Um dia, talvez deixe de me doer. 

Um dia, talvez sinta vontade de dançar até de manhã, de novo, e de passear pelos jardins, de contemplar o nascer do sol e de escrever poemas de amor à beira-mar. Poemas que já não serão sobre ti. Um dia, talvez isto perca todo o seu sentido: a saudade, a angústia, o desejo e até o próprio amor. Um dia, talvez me seja, de novo, mais urgente viver a minha vida, mesmo sem ti. E, um dia — sim, talvez um dia —, talvez me apaixone… De novo.


Escrito por Laura Almeida Azevedo

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