CRÓNICAS

Deixamos um no outro um pedaço de quem somos, do que sentimos, do sentido mais íntimo da nossa existência, como se abríssemos o nosso coração ao meio e dele retirássemos um pedaço enorme de nós para dar ao outro. E deixamos de estar inteiros. Esse pedaço deixa de nos pertencer.
A Alice é um exemplo. Um exemplo de que, por mais difícil que seja tomar esta decisão, de querer o divórcio, é possível tomá-la e voltar a ser feliz.
Às vezes, é preciso parar. E reaprender um novo caminho para nos sentirmos mais completos, mais vivos e mais felizes.
Se a vida te tem ensinado que a dor consegue doer muito, ela também te tem ensinando que nada, nem ninguém merece que baixes os braços, que abdiques do teu amor próprio e que desistas de ser feliz.
Este texto é para ti, que teimas em fazer-te de forte mesmo quando a dor te aperta por dentro.
Aprendemos a viver com as lágrimas a quererem sair-nos do peito, mas sem conseguirem. Elas estão aqui dentro, algures. Nós sentimo-las. Porque nos dói. Mas não saem.
É urgente nunca desistirmos de nós. Mesmo quando um sonho não se realiza. Mesmo quando um grande amor acaba.
Conheci a Alice há uns anos. Casada há quatorze anos, vivia o que outros apelidavam de «casamento feliz». Mas sentia-se fora de si. Tinha todas as emoções ao rubro. Não conseguia pensar com lucidez. Queria tudo, mas não se conseguia decidir por nada. Porque estava apaixonada. Apenas não pelo marido.
Já passou tanto tempo. Mas, todos os dias, lembras-te dele. É mais forte do que tu, não é?
Esquece-o. Precisas de seguir em frente. O passado já não pode ter o peso que ainda lhe dás. Já não faz sentido que o tenha.
Há dias em que as palavras não chegam — e em que o coração tenta ficar imóvel para não transbordar do nosso peito. Há dias em que a luz da rua não basta para nos fazer sentir vontade de enfrentar o mundo.

TOP 15

Tu não estás só!

Este texto é para ti, que teimas em fazer-te de forte mesmo quando a dor te aperta por dentro.
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