AMOR EM PROSA

Ainda me lembro de ti. Ainda me lembro de ti e de tudo em ti. Porque é impossível esquecer quem é parte de nós.
Deixámos de falar um com o outro, sobre o que sentimos, há quanto tempo? Não te lembras. Nem eu me lembro. Fomos ficando dentro do silêncio, sem percebermos que as palavras — aos poucos — começavam a cansar-se de serem ditas. Fomos ficando sem iniciativa para fazermos pelo outro o...
Acordei com saudades tuas. Há algum tempo que as saudades não me acordavam assim. Fiquei às voltas a relembrar-te. Quanto mais te relembrava, mais vontade sentia de te contar os meus dias, de saber dos teus. E mais saudades sentia de ti.
Doía-lhe não conseguir deixar de pensar nele, não conseguir deixar de o querer. Por mais que respirasse fundo, o peso não lhe saía do peito.
Eles gostavam um do outro. Tinham-se cruzado por acaso, mas não era apenas por acaso que se mantinham presentes na vida um do outro.
Ao teu lado, a vida faz mais sentido. Não que a vida não fizesse sentido antes de ti, ou sem ti, mas contigo querer viver cada segundo torna-se um desejo ainda maior.
Aperta-me nas tuas mãos. Olha-me com atenção. Deixa que os nossos olhares digam o que sentimos, o que guardamos em nós.
Tanto me faz se a vida é exatamente como eu queria que ela fosse, ou se há dias demasiado difíceis, se há dias em que sou testada até ao limite, se há dias em que tento ser forte e não consigo.
«Tinha saudades de te tocar», dizes-me, com os olhos marejados, quase a quererem chorar. Aceno com a cabeça, cúmplice. Abraço-te. Rever-te também me dá esta vontade de chorar.
O que são as saudades, meu amor? São estas. E são tão grandes. São tão fundas.
A vida nunca mais foi a mesma, desde aquele dia em que se cruzaram, por acaso. Por instantes, tornou-se maior. Ficou mais quente. Parecia ter apenas dias de sol. E de histórias para contar.
Podes vir. Sem mais nada. Traz-te só a ti: e ao teu sorriso, e aos teus abraços e às tuas histórias. Traz-te inteiro, verdadeiro, de coração aberto.
Um dia, talvez deixe de me doer. Um dia, talvez as saudades deixem de me apertar e de me impedir, mesmo depois de todo este tempo, de respirar.
A saudade queima, dilacera. Abre um buraco fundo no nosso peito. Ateia fogo no coração.
Quero-te assim. Quero-nos aos dois, exatamente, como somos: inteiros, apaixonados.
Quero-te comigo. Hoje. Quero-te neste espaço que fica entre o teu corpo e o meu.
Não quero os dias sem ti. Não quero os sonhos onde não podes estar também.
Não escolhi gostar de ti. Aconteceu. Este calor gigante, quase a ferver, meteu-se dentro do meu peito e agarrou-se à parte mais funda de mim. Alterou para sempre quem sou.
O meu segredo és tu. A minha vontade louca de mergulhar nos momentos contigo, como se os nossos momentos juntos fossem a única coisa que importa — e são. O meu segredo que é dito com palavras doces: que sussurram através dos meus lábios ainda vestidos de ti. E que me...
Saudades das tuas mãos tranquilas, firmes, que me guiavam pela vida e que me mostravam o mundo.
Hoje, queria conseguir esquecer-me de tudo. Ou talvez não de tudo. Queria apenas conseguir esquecer-te.
Disseste-me que não. Disseste-me que o amor acabou. E eu fiquei sozinho. Metido nesta ventania de emoções por ti.
Gosto de ti por quem és. É como se não precisasse de mais nada. O meu vício és tu.
Apetece-me dizer-te que a vida contigo é diferente. É mais cheia. Tem mais cor.
Gosto tanto de ti. Mas sei que as palavras são apenas isso: palavras. E que os sentimentos se tornam complicados, quando fazemos questão de tentar explicá-los.
Preciso de um abraço que me abrace com força. Por dentro.
Por isso, beija-me. Com lábios que me querem agarrar para sempre. Beija-me. E deixa-me esquecer o mundo, dentro do teu beijo.
Amo-te. E isso está a dar cabo de mim.
«Não sou perfeito.» Dizes-me tu, com medo nas palavras. Medo de que o meu silêncio te diga que não quero um amor assim.
Esta noite, espero-te. Aqui. Onde nos vimos pela última vez.
Sinto a tua falta. Aqui: ao meu lado. Sinto falta das histórias que me contavas, entre um bom dia apressado e um boa noite de braços abertos. Esta ausência do riso. Esta ausência de sermos cúmplices um do outro. E dos disparates deliciosos da vida. Sinto a tua falta. Sempre....
A vida, sem ti, não é a mesma coisa. É um desassossego que me consome.
O teu sorriso. O modo como me fazes sentir que nada mais importa. A maneira como nos esquecemos dos outros, como deixamos de ouvir o que dizem à nossa volta.

TOP 15

Tu não estás só!

Este texto é para ti, que teimas em fazer-te de forte mesmo quando a dor te aperta por dentro.
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