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130 mil: É quando os objetivos são altos que nos e...

130 mil: É quando os objetivos são altos que nos esforçamos para dar o nosso melhor

Fotografia @ Pixabay | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Foi em 2014 que tudo começou. Por impulso. Por brincadeira. Pelo desafio. Tragam as pipocas e deixem-se ficar, que eu vou levar-vos pelos meandros do meu pensamento… e do dia em que o apetece(s)-me nasceu.


Foi em 2014 que tudo começou. Lembro-me de estar sentada no sofá da sala, de portátil pousado em cima dos joelhos, a visitar páginas e páginas de muitas outras pessoas que escreviam e partilhavam o que escreviam no Facebook. E com 100 e 150 mil seguidores. Lembro-me de ler os seus textos, as reações de quem os seguia e de pensar: «Também gostava de ter algo assim. Meu.» Parte de mim acreditava que seria capaz de lá chegar. Parte de mim não.

De caderno pousado em cima do ombro do sofá, fiquei ali a estudar algumas dessas páginas. Andei para trás no tempo e fiz contas de somar, de multiplicar e de dividir. Queria perceber quantos seguidores tinham numa média anual, numa média mensal; se já tinham publicado algum livro e ao fim de quanto tempo tinha acontecido. Porque, se eu criasse uma página, queria sonhar com o melhor. O pior estava garantido.

Foi nessa mesma tarde que disse: «Vou criar a minha!» Ainda não tinha um nome. Mas há muito que me andavam a dizer: «Tens de voltar a escrever. Tu escreves tão bem!» Claro que ouvi isto durante anos. Porque, durante anos, desisti de escrever. Não me apetecia. Já não acreditava que, algum dia, iria publicar um livro. Não tinha histórias para contar. E não sentia vontade de perder tempo a escrever quando me queria dedicar ao desenho e marketing digital. Era nisso que queria trabalhar como freelancer.

Mas criei a página. Por impulso. E depois de carregar no botão é que vieram elas. «Um nome? Sei lá do nome! Que nome?» Olhava para o écran, enquanto o rectângulo onde deveria escrever o nome continuava em branco. «As pessoas normais criam páginas quando já têm um nome em mente. Tu tens de ser diferente. Não é, Laura?»

Apenas sabia que queria escrever textos intensos e emotivos. Mas não me queria ficar por aí. Sabia que haveria dias em que me apeteceria escrever sobre o amor e outros em que me apeteceria falar da vida. O nome teria de ser simples, como eu, e catchy e até um pouco atrevido para ficar no ouvido.

«Apetece(s)-me!», soltei, com ar confiante.

Foi ali — entre contas de multiplicar e dividir, entre etapas para criar uma página e lutas internas para não desistir dela antes mesmo de ela ver a luz do dia — que o nome surgiu. E, para simplificar, até veio acompanhado de um conceito: «Há dias em que me apetece andar de mãos dadas contigo. Há outros em que me apetece estar sozinha, gostar de mim e explorar o mundo.»

O trocadilho do apetece(s)-me, com o “s” entre ( ), pareceu-me óbvio. Havia dias em que queria falar de amor e outros em que queria falar da mulher por detrás dele. Da mulher que é comunicativa. Da mulher que tem vontade de dançar. Da mulher que é curiosa e quer descobrir o mundo. Da mulher que é artista. Da mulher que questiona tudo — e não apenas as relações humanas. Da mulher que luta pelo que quer. Da mulher que trabalha. Da mulher que não precisa de um homem. Da mulher que sonha, vive e quer ser feliz.

E porquê? Porque me apetecia!

Ok, o nome estava escolhido. Não ia pensar mais nisso. Mas agora tinha de delinear objetivos. E fazê-lo desde o início porque só assim poderia levar isto como um desafio a sério.

Objetivo nº 1 — Escrever sobre o que me apetecia e não me deixar limitar pelo receio do que os outros pudessem pensar. Por isso, quando criei a página, esta era anónima. Depois, logo diria quem era.

Objetivo nº 2 — Escrever dezenas de textos, de repente, para alimentar a página com conteúdo novo e cativar as pessoas. Queria lançar 5 publicações por dia. Mas isto era só o número oficial. Na verdade, e aqui entre nós, iria desafiar-me a 8 publicações por dia. Sabia que isso iria ajudar a que o algoritmo do Facebook considerasse a minha página relevante e fazê-la chegar mais longe. Por isso, obriguei-me a escrever todos os dias e em todos os lugares.

Até aqui, ambos os objetivos pareciam fáceis. Atingi-los era só uma questão de dedicação e foco. «E isso eu tenho em barda!», pensei. Mas o objetivo seguinte já era outra história completamente diferente.

Objetivo nº 3 — Chegar aos 150 mil seguidores. E, aqui, assim que ousei pensar neste número, levantei a sobrancelha e fiz aquele esgar sarcástico, acompanhado de uma pequena gargalhada e um «hum-hum». Encostei-me ao sofá. Olhei para o caderno, onde tinha apontado os números das outras páginas, as suas médias. «Pronto, vou dar-te uma abebiazinha. 150 mil é capaz de ser um número assim alto.» Capaz? «Mas, pelo menos, 100 mil, ok?» E fez-se silêncio. Imaginei uma segunda Laura sentada no outro sofá da sala, com o olhar fixo nesta Laura de cá, em negociações. Uma abana a perna. A outra olha para o lado, refletindo mais um pouco. Uma franze o olhar. A outra coça a cabeça. Foi quando o silêncio se quebrou: «Bem, eu não quero ser gananciosa, mas para isto superar as expetativas… 130 mil é que era! Fica a meio caminho.» Nisto, a outra Laura arregala os olhos, com direito a três segundos de pânico total, num valente «ai-meu-deus-que-me-vou-esfrangalhar-ao-comprido-e-não-vou-chegar-sequer-aos-cem-seguidores» que não se atreveu a pronunciar em voz alta. A outra, sem demoras, bate na mesa e larga: «130 mil e não se fala mais nisso!»

Costuma-se dizer tantas vezes que números são apenas números. E até são. Mas esta é uma afirmação que se ouve em muitos sítios, de muitas bocas, quando se quer subestimar o valor de um número, o seu feito, o seu mérito. Sim, os números são apenas números. Mas os números, para quem está deste lado, também são importantes. São importantes quando se começa do zero. São importantes quando nos comprometemos. São importantes quando damos de nós. São importantes quando dedicamos horas diárias a algo que estamos a construir. São importantes quando nos impomos metas. São importantes quando investimos dinheiro. E são importantes quando, ao fim de um tempo, fazemos o balanço: «Então, vale a pena continuar ou manda-se já isto abaixo?» E os números, entre tantos outros fatores também relevantes que os acompanham, nos dizem que sim ou que não.

Foi neste dia, nesta tarde, que, já com a página criada, comecei a escrever os primeiros textos. Foi assim que, sem dizer nada a ninguém, comecei a alimentá-la diariamente. Fi-lo focada nos objetivos que indiquei acima, mas sobretudo nisto: acima de qualquer número, queria um espaço que fosse meu, onde me sentisse livre para escrever e para criar, onde pudesse chegar às pessoas e que me fizesse sentir desafiada a fazer mais e melhor.

Hoje, comemoro este número convosco e partilho esta história. Porque o objetivo realístico era os 100 mil, «mas, para isto superar as expetativas, 130 mil é que era!» Pela lógica, hoje é o dia em que supero as minhas expetativas.

A verdade? A verdade é que isto já superou as expetativas há muito tempo. Tem sido bom desde o primeiro dia. Pelos números, mas por tudo o que vem com eles. Foi bom com zero seguidores, como é bom com 130 mil. E espero que venha a ser igualmente bom com os 200 mil que tenho em meta: porque é quando os nossos objetivos são altos que nos esforçamos mesmo para dar o nosso melhor.

Hoje, estou de parabéns. E quero agradecê-lo a vocês também.

Obrigada por estarem desse lado!


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Designer, ilustradora, copywriter e autora. Apaixonada por comunicação, pessoas e cidades grandes. Uma portuguesa a viver em Londres.

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