Às vezes, é preciso parar!

Fotografia @ Pixabay

Habituamo-nos, desde pequenos, a seguir em frente. Às vezes, não sabemos muito bem por onde. Apenas sabemos que devemos seguir em frente. Que, chegando ali ao fundo, temos de virar à esquerda. Que, depois, quando passarmos por aquela rotunda, devemos virar à direita. E, algures, por ali, está aquilo que nos espera, aquilo que nos é suposto, aquilo que devemos ser, aquilo que devemos sentir.

Habituamo-nos a seguir em frente independentemente de tudo. Desde cedo que nos dizem que «o caminho é em frente». Habituamo-nos a não baixar os braços, porque desde cedo que nos dizem que «baixar os braços é para os fracos». E a não perder tempo a tentar entender o que sentimos, o que queremos, porque desde cedo que nos dizem que «só vive quem se deixa levar». Habituamo-nos a não dizer em voz alta o que nos vai dentro do coração, porque desde cedo que nos dizem que «seguir o coração é para quem não paga contas». Habituamo-nos a aceitar o que nos acontece, a não exigir mais, a não querer além do que temos, porque desde cedo que nos dizem que «temos de nos contentar com o que temos». E vivemos uma vida tranquila, mas monótona, que fica aquém de nos fazer felizes, porque desde cedo que nos dizem que «é preciso assentar». Habituamo-nos aos que não nos dão nem metade daquilo de que precisamos, porque desde cedo que nos dizem que, «quando perdermos, é que vamos dar o devido valor». E nós temos tanto medo da ameaça que vive nestas entrelinhas.

E seguimos em frente, mesmo sem saber por onde; mesmo sem saber se queremos; mesmo sem parar um pouco para ouvir, longe dos outros, longe da vida que corre, o que o nosso coração nos diz. Sem ouvir o que o nosso coração nos pede. Sem colocar em causa a lógica do caminho que escolhemos, a nossa felicidade. Sem ousar parar o ritmo dos dias ou levantar a voz para dizer: «Afinal, não é isto que eu quero!» Sem nos atrevermos a parar, a refletir, a recuar e a recomeçar. Porque também nos habituámos a ouvir que «a vida não espera por nós». No fundo, temos medo que não espere mesmo. Nem sequer um minuto.

Mas, às vezes, é preciso perder o medo. Às vezes, é preciso questionar as escolhas. E mandar abaixo todas as ideias preconcebidas que temos, todas as escolhas automáticas que fazemos, todas as afirmações que nos habituámos a proferir em voz alta e que ouvimos, vezes sem conta, saírem das nossas bocas sem sequer acreditarmos muito bem nelas. Às vezes, é preciso estancar o corpo no chão e recusar dar mais um passo, por mínimo que seja. Às vezes, é preciso desconstruir o que levámos uma vida inteira a construir. Às vezes, é preciso arriscar ouvir o que queremos, o que sentimos, o que a nossa intuição nos diz, o que a nossa vontade nos pede. Às vezes, é preciso levantar a voz e dizer: «Afinal, não é isto que eu quero!»

Às vezes, é preciso parar! E reaprender um novo caminho para nos sentirmos mais completos, mais vivos e mais felizes.


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Designer, ilustradora, copywriter e autora. Apaixonada por comunicação, pessoas e cidades grandes. Uma portuguesa a viver em Londres.

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