Ser feliz ♥︎

Acordar e poder dizer: «Hoje é dia de passear em Lisboa!» Saber que as saudades que trazemos connosco só se matam quando vamos aos lugares de que sentimos falta. Saber que a vida também precisa que não nos preocupemos com ela. Que nos deixemos levar.

Caminhar pela calçada de pedra e admirar as ruas largas da cidade — as mesmas ruas que se veem lá de cima, do avião. Percorrer a cidade com os pés e com o olhar. Apreciar as janelas e os padrões coloridos das paredes das casas e dos prédios. Admirar com tempo a arquitetura portuguesa e fotografá-la como se fosse poesia. Saber que ela é poesia. Provar o ousado pastel de bacalhau com queijo e franzir o nariz: «Da próxima vez é sem queijo.» Misturar-me com as multidões e perder-me nas línguas de várias origens. Sentir orgulho por não ser a única a apreciar esta cidade: há mais de quem a fotografa, de quem a contempla, de quem a vive. Estancar o corpo no chão e fechar os olhos para sentir o sol no rosto. Deixar-me assim ficar por segundos, como uma gata refastelada ao sol. Ser seduzida pelo cheiro a castanhas assadas que percorre as ruas — e não lhe resistir mais do que trinta segundos. «É uma dúzia, por favor!» Do outro lado: «Estas são as melhores de Lisboa e as mais baratas. Sempre que quiser castanhas, nós estamos aqui!» Retirar a primeira de dentro do saco e sorrir. Sorrir com a mesma felicidade de quem tem um presente nas mãos. Quentes e boas, cada castanha desfaz-se, como veludo, na boca.

Parar o tempo e saber que este é o melhor lugar para estar.

Ser feliz na minha Lisboa. ♥︎

Fotografias © Nuno Abrantes


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Designer, ilustradora, copywriter e autora. Apaixonada por comunicação, pessoas e cidades grandes. Uma portuguesa a viver em Londres.

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