Eles gostavam um do outro

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@ Pixabay

Eles gostavam um do outro. Tinham-se cruzado por acaso. Ela com o seu sorriso enigmático, solto, transparente. Ele com o seu olhar profundo, de lábios desenhados pela barba que lhe pintalgava o rosto. Ela com a sua vontade de saltitar pela vida, de jogar às escondidas pela praia, nesse seu jeito adulto, semi-criança feliz, que o enternecia. Ele com o seu jeito calmo, protetor, de quem não tinha pressas para ir a lado algum e podia ali ficar, apenas, a apreciar a vida que brilhava nos olhos dela.

Eles gostavam um do outro. Tinham-se cruzado por acaso, mas não era apenas por acaso que se mantinham presentes na vida um do outro. Na verdade, mais do que apenas presentes, eram, na maioria dos dias, a pele, os olhos, os pés e o coração do outro. Caminhavam pelo areal de mãos dadas, com o olhar preso no horizonte e um sorriso feliz nos lábios. E era assim que partilhavam sonhos, contavam as peripécias da vida, enquanto as horas caíam sobre as tardes e o que restava era uma praia quase deserta, onde podiam brincar ao amor.

Eles gostavam um do outro. Tinham-se cruzado por acaso, mas não num acaso qualquer. E, sim, num desses que, por ironia, parecia ser muito mais do que isso. Num desses que lhes fazia acreditar que tinham encontrado a pessoa certa. Num desses acasos deliciosos que sempre lhes sabia a tanto mais. Talvez a destino. Sim, havia dias em que acreditavam que tinha sido o destino a juntá-los.

E, aqui entre nós, tinha mesmo sido…


Escrito por Laura Almeida Azevedo

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