O que vai mudar por aqui!

Fotografia © Nuno Abrantes | Autoretrato

Foi em abril deste ano que o «apetece(s)-me» fez 3 anos de vida. Não o website, mas a página de Facebook, que surgiu uns meses antes. Nesse primeiro mês, foram quase 100 os textos que escrevi para publicar na página. A minha inspiração era motivada pelas fotografias que ia encontrando pela internet e, claro, pelo facto de não escrever com regularidade há algum tempo. Basicamente, tinha a transbordar o meu stock de palavras fofinhas e foi isso que me permitiu escrever textos de amor, arrebatadores, como quem muda de cuecas — todos os dias, portanto.

O «apetece(s)-me» teve, em pouco tempo, uma visibilidade que eu não estava à espera e tornou-se, sem que fosse esse o objetivo quando criei a página de Facebook, numa referência. Não para o mundo, mas para mim. Passou a ser o meu espaço, o lugar onde podia escrever a minha prosa mais poética e saber que haveria alguém do outro lado a ler-me. E tem-me sabido bem ter um espaço assim, onde posso dar largas à imaginação e estar em contacto convosco. Chamemos-lhe «estar nas sete quintas», porque era mesmo assim que eu me sentia e sinto na maioria dos dias.

Ao longo destes 3 longos anos (que me sabem a 6 ou 7, tal é a dedicação diária que isto exige), o «apetece(s)-me» manteve-se fiel a si próprio, ao que motivou o seu início e ao que vocês (julgo eu) começaram a esperar dele. Tem transbordado romantismo (às vezes, até enjoa), falado apenas de amor e tudo de forma emotiva, quase transparente. Tem tido a feliz capacidade de exteriorizar emoções que vocês, tantas vezes, me confidenciaram sentir e não conseguir expressar. Talvez por isto nunca senti que fosse um blog. Nunca o utilizei como um espaço onde falava de mim, da minha vida, do meu quotidiano. Mas antes onde falava, de forma impessoal, mas verdadeira, de emoções, de relações, na esperança de que alguém se identificasse e sentisse as minhas palavras como sendo suas. E isso tem acontecido tantas vezes.

O que me tem incomodado, ao longo deste último ano e meio, é que, numa altura em que o «apetece(s)-me» tinha motivos para estar em força (e isto até por causa do lançamento do livro), aconteceu o inverso. Em 2014, publiquei aqui 132 textos. Em 2015, publiquei 225. O livro foi lançado em fevereiro de 2016. Nesse ano, publiquei aqui apenas 47 textos. E o ano de 2017 ainda não terminou, mas até à data só lá vão 29. Escrever 47 textos é de louvar. Não coloco isso em causa. O que está aqui em causa é que, ao longo de 2016, escrevi muitos mais textos do que apenas estes 47. (E em 2015 também escrevi um livro.) Mas não os publiquei porque eram textos com um registo diferente.

Em finais do ano passado, partilhei convosco que estava a ponderar acabar com o site. Mas há tanto de mim aqui (trabalho, emoções, partilhas, sonhos) que seria um disparate acabar com isto só porque me continuo a recusar a fazer a mudança. Só porque receio que essa mudança possa ser recebida de forma estranha pelos fiéis leitores que conquistei ao longo destes anos. No entanto, esta minha tentativa de agradar a todos faz com que, depois, não publique. E eu diria que isso também não é uma estatégia fantástica para quem, como eu, quer estar próxima destes fiéis leitores (que até imagino que gostariam de ter algo meu para ler com mais regularidade do que apenas uma ou duas vezes por mês).

Por isso, este é o momento de viragem. Porque quero ter a certeza de que terei mais textos para partilhar convosco nos próximos três anos. Porque não faz sentido manter um site se só lá publico 10 textos por ano. Para mim, não faz. Porque o trabalho que dá manter tudo a funcionar continua a ser imenso, quer publique novos textos ou não. E porque isto também tem custos para mim e esses só se justificam se eu estiver a usufruir de todas as potencialidades disto.

E o que aí vem? O blog!

Sim, a partir de hoje, o «apetece(s)-me» é oficialmente um blog. Este vai ser um espaço que fala de mais coisas do que apenas de amor. Sim, vai ter resmas de amor e de romantismo à mesma, porque é assim que eu sou, porque é nesse registo que também me sinto feliz, mas vai ter mais do que isso. Vai ser um espaço mais generalista, onde também vos falo disto de ser blogger, disto de ser autora, disto de ser mulher, disto de ser emigrante, disto de ser apaixonada por cidades, disto de viajar, disto de precisar de comunicar convosco, disto de ser criativa.

Sim, o que vem aí é um blog. Finalmente.

Mas não vai ser apenas um blog. Vai ser também um espaço onde quero que vocês estejam presentes. E para isso estou a organizar já um conjunto de entrevistas onde vamos falar de amor. Para isso, estou a escrever uma sequência de artigos onde vos conto as vantagens de ter um blog (e o que criar o «apetece(s)-me» alterou na minha vida). Vou falar-vos de Londres, a cidade onde vivo há 4 anos, e de muito mais. De muito mais que quero aqui escrever e lançar, mas ainda é cedo para vos contar.

Achei que esta mudança não faria sentido sem uma mudança também de visual, que acompanhasse a transição, e daí o site estar diferente. (Isto funciona mais ou menos como a rutura de uma relação que nos leva a querer mudar de cidade ou a cortar o cabelo.) Também achei que não faria sentido esta mudança sem falar dela primeiro — e é isso que estou a fazer aqui.

Sei que esta mudança poderá não agradar a todos — porque nunca se agrada a todos. Mas, acima de tudo, tenho de me agradar a mim. E tenho a certeza absoluta de que os que me leem para lá das palavras, os que me veem através delas, vão continuar a ler-me, como muitos já o fazem desde o primeiro dia.

Obrigada a todos! ;)


Olá! Eu sou a Laura, a autora deste blog e do livro «Apetece(s)-me». Sou também freelancer em desenho gráfico, ilustração, redação de conteúdos e gestão de redes sociais. Paixões? As mais simples: escrever, desenhar, música, varandas e cidades grandes. Atualmente, vivo em Londres!

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