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Um hino à igualdade: porque, entre nós, não há dif...

Um hino à igualdade: porque, entre nós, não há diferenças

Fotografia © Désirée Fawn

Entre nós, não há diferenças. O respeito e o amor é isto que nos fazem. Somos feitos do mesmo por dentro. Temos as mesmas sensibilidades e a mesma vontade de ser felizes.

Tanto eu, como tu, crescemos com sonhos que alimentamos toda a vida. Ambos temos as nossas batalhas — a nossa adolescência difícil, os traumas que nos acompanham, as dificuldades do dia a dia. Não há diferenças entre nós que não sejam apenas diferenças pequenas: eu sonho com palavras, enquanto tu com desenhos; eu gosto de melancia, enquanto tu preferes morangos; eu oiço música alto, enquanto tu a preferes baixinho para te concentrares melhor. Mas há dias em que eu também sonho com desenhos e tu te revês nas minhas palavras. Há dias em que troco a minha melancia pelos teus morangos, que devoro ao som da música baixa, enquanto trabalho e enquanto tu danças com a música alta nos ouvidos.

Entre nós, não há diferenças que sejam intransponíveis. Somos feitos do mesmo: carne, músculos, coração, fígado, olhos que querem absorver o mundo, lábios que desejam sempre ter motivos para sorrir com genuinidade. Quando nos deitamos, o dia passa-nos em flash à frente dos olhos. Ambos sentimos culpa quando não tomamos as escolhas mais certas. Ambos sentimos dor quando sentimos a falta de alguém. Ambos vertemos lágrimas, mordemos os lábios, engolimos em seco, quando essa dor nos agoniza — porque tanto eu, como tu somos feitos também da dor que a vida inflige em nós.

Entre nós, não há diferenças que nos tornem melhores do que o outro. Tanto eu como tu temos um mundo dentro do peito. E queremos, acima de qualquer coisa, ser felizes. Tanto eu como tu fazemos amor — gememos, beijamos, suspiramos e adormecemos abraçados, anestesiados de paixão e de amor. Tanto eu como tu somos feitos da carne que precisa de abraços, da carne que precisa de conforto, da carne que precisa de apego.

Entre nós, não há diferenças de direitos, de escolhas, de sentimentos, de sonhos. Não há. Tanto eu, como tu, somos humanos. Tanto eu como tu precisamos um do outro. E jamais conseguiríamos sobreviver sozinhos. Tanto eu como tu amamos com toda a entrega e desejamos que a vida nos dê tudo a que temos direito.

E não é um tom de pele que, algum dia, alterará isso.


Olá! Eu sou a Laura, a autora deste blog e do livro «Apetece(s)-me». Sou também freelancer em desenho gráfico, ilustração, redação de conteúdos e gestão de redes sociais. Paixões? As mais simples: escrever, desenhar, música, varandas e cidades grandes. Atualmente, vivo em Londres!

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