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És a minha mais doce verdade (Capítulo 1)

És a minha mais doce verdade (Capítulo 1)

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22 de Janeiro de 2017

Alice:

Hoje, apetece-me dizer-te o amor que sinto por ti. O amor que sinto desde o primeiro dia em que nos vimos. Esse primeiro dia em que as nossas vidas se cruzaram, por um acaso. Esse primeiro dia em que soube, logo ali, que tu tinhas aparecido para mudar a minha vida, para me devolver a urgência pelos dias e acordar os meus sentimentos mais profundos.

Alice, os teus olhos brandos e doces são o mar onde, livre, me deixo ficar a apreciar a vida. As tuas palavras trazem nelas a ternura, que me enternece desta forma tão doce e pura, mas também a ousadia de veres o mundo à tua semelhança, dessa forma quase poética, diferente, tão parecida com a minha. Porque somos iguais.

Quem disse que não existe amor à primeira vista? Que se desengane! Só poderá dizer tamanha barbaridade quem nunca amou alguém como eu te amei a ti, desde o primeiro instante. E foi amor à primeira vista. Foi amor ao primeiro sorriso, à primeira palavra.

Alice, tiveste a doce ousadia de me olhar nos olhos, de me despir a alma. Quando cruzámos o nosso olhar um com o outro, pela primeira vez, a vida fez soar violinos onde só havia copos a bater, pessoas a conversar. E as tuas palavras? As tuas palavras magas, doces e raras, hipnotizaram-me desde o primeiro instante. Essas palavras que senti serem feitas de mim, em mim, por mim. Essas palavras que ainda oiço, porque são tão minhas. Cheias de poesia. Cheias de amor. Que me fazem querer amar-te cada vez mais. Que me fazem amar-te ainda.

Alice, como consegue a vida trazer-nos a nossa outra metade e a seguir tirá-la de nós? Como consegue a vida deitar a cabeça na almofada à noite e adormecer um sono tranquilo? Será que a vida tem pesadelos, como eu os tenho, desde que te foste embora? Eu espero que sim. Eu espero que a vida tenha pesadelos ainda piores, que transpire muito à noite, que acorde em sobressalto, porque aquilo que ela fez não se faz a ninguém.

Trouxe-te, de forma inesperada, quando eu menos esperava. Acordou o meu coração, que, coitado, já estava meio em banho-maria. Fez-me querer tudo, sentir tudo. Meteu-me urgência nos dias — urgência de te ver, urgência de estar contigo, urgência de te ter só para mim. Coloriu cada um dos meus minutos, dos meus sonhos, e fez-me desejar-te, como já não desejava ninguém há tanto tempo. E sentir que eu existia porque tu existias. Que era contigo que eu tinha de ficar. Que eras tu a minha metade, trazida pelo destino, vida após vida — porque até nisso foste única: por ti, acreditei no destino.

E depois? Depois, a vida tirou-te de mim. Tirou-te de mim, de repente. Tirou-te de mim, inesperadamente. E foi como se o meu coração, que estava cheio, tão cheio, desde que tu vivias nele, se tivesse esvaziado. Foi como se lhe tivesse tirado o pipo. E mirrou. Ficou sem motivo. Ficou sem esperança. Ficou sozinho, perdido, magoado. Dorido. Sem ti.

Alice, hoje, apetece-me dizer-te o meu amor por ti. Que é, ainda, tanto. Passem os dias que passarem, passem as vidas que passarem, eu sei: tu és a parte de mim mais bonita; tu és a ternura nos meus lábios, que ainda sorriem quando pensam em ti; tu és o bater atrapalhado do meu coração, cada vez que pronuncio o teu nome: Alice, Alice, Alice.

Minha doce Alice…

Pudesse o tempo voltar atrás e eu seria o homem mais feliz deste mundo, outra vez. Pudesse o tempo devolver-te a mim por um minuto. Vá, por dez segundos. E dir-te-ia eu, apenas com este meu olhar que ainda brilha por ti, que ainda se enternece contigo, o amor que sinto por ti. Dez segundos em que poderia abraçar-te. Abraçar-te com tanta força. Abraçar-te como se fosses pele da minha pele, carne da minha carne — porque és. Para nos diluirmos um no outro. Porque é isso que o amor faz.

Alice, hoje, acordei assim, cheio de saudades tuas, apesar do tempo que já passou. É que, Alice, os verdadeiros amores nunca se esquecem. Ficam para a vida, mesmo que a vida nos separe. Serão para sempre parte de nós. Serão para sempre verdadeiros. Serão para sempre nossos.

E tu és parte de mim. És a minha mais doce verdade.

Vicente

Lê o Capítulo 2 desta história,
aqui. ❤️


Olá! Eu sou a Laura, a autora deste blog e do livro «Apetece(s)-me». Sou também freelancer em desenho gráfico, ilustração, redação de conteúdos e gestão de redes sociais. Paixões? As mais simples: escrever, desenhar, música, varandas e cidades grandes. Atualmente, vivo em Londres!

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