É urgente nunca desistirmos de nós!

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É urgente sorrir. É urgente sorrir só porque sim. Só porque se está vivo.

É urgente apreciar a vida e aprender a ver beleza nas coisas simples, mesmo nos dias mais complicados. É urgente abrirmos o nosso horizonte e apreciarmos o que nos rodeia, apesar de o termos sempre ali à mão. Não nos limitarmos a olhar, mas a ver com atenção. Sim, é urgente apreciar a vida, porque ela ainda não é eterna!

É urgente sonhar mais. Levantar os pés do chão e sonhar com coisas possíveis, mas também impossíveis. Sentir que os sonhos dão cor e motivo à nossa vida. Sonhar com gosto e ir atrás de cada sonho — até ao fim do mundo, se for preciso, e independentemente do que nos dizem. É urgente acreditar que quase todos os sonhos são possíveis, se não esperarmos sentados que eles aconteçam sozinhos. Se fizermos por isso. Sim, é também urgente acreditar que nunca se é velho demais para se lutar por um sonho, nem para se mudar a vida toda por ele!

É urgente escolher as pessoas certas para a nossa vida. E perceber que nem todas as que queremos connosco são aquelas que nos fazem bem. É urgente aprender a deixar ir quem não nos pertence. E não ir atrás, não insistir, não colocar o outro sempre em primeiro lugar, sofrendo por quem não merece. Deixar ficar aquelas que nos tratam bem, que nos valorizam, que nos motivam, que precisam também de nós. Sim, é urgente manter apenas quem deve e sabe ficar!

É urgente sermos mais brandos. Deixar de esperar tudo dos outros, se também nós não damos tudo. Deixar de exigir que os outros sejam perfeitos, se nem nós o somos. É urgente comedir os comentários maliciosos, racionalizar as raivas, apaziguar as revoltas, relativizar as dores e domesticar as exigências. E estender a mão ao outro mais vezes. Ouvir o outro mais vezes. Sem julgamentos!

É urgente viver. Viver sem nos deixarmos coibir pelo medo. Pelo medo de sofrer, de arriscar, de seguir o coração. Pelo medo de não se ser suficiente. Pelo medo da exposição. E até pelo medo de não se ter já «idade para…». É urgente fazer destes medos o trampolim para voarmos mais alto, para sermos melhores, para arriscarmos mais, para sermos felizes. É urgente memorizar que o medo faz parte de todas as grandes decisões. Todas! E que não é por isso que vamos falhar ou sofrer. Sim, é urgente aceitar o medo e, mesmo com ele, arriscar mais, arriscar tudo e viver!

É urgente respirar fundo. E aprender a não se pensar em nada, a fazer uma pausa, mesmo quando o mundo continua a exigir de nós tudo — e a cada segundo. É urgente refletir no que se quer, no que se sente e naquilo que é melhor para nós. E, se o melhor para nós for não pensarmos em nada, bloquearmos a dor, rejeitarmos a preocupação, é urgente fazê-lo. É urgente filtrar os pensamentos que nos fazem mal e alimentar apenas aqueles que nos fazem sentir mais leves, mais felizes. Parar e avançar apenas quando estivermos seguros. Sim, é urgente respeitarmos o nosso próprio ritmo!

É urgente comedir as lágrimas. E não deixar que elas nos toldem os dias, que elas definam quem somos aos nossos olhos e aos olhos dos outros. Que elas falem sempre por nós. É urgente aceitar que as lágrimas não mudam a vida só por existirem, não nos trazem de volta quem partiu e não nos tornam mais dignos de respeito e de amor só porque as choramos aos litros. Sim, é urgente chorar menos e dizer mais. Dizer o que nos incomoda. Dizer o que nos magoa. Dizer basta!

É urgente não querer sempre tudo. E aprender a dar valor ao que temos. Antes que seja tarde demais. É urgente perceber que há alturas em que devemos querer mais, tudo, mas que há outras em que o que temos já chega, já é mais do que alguma vez pensámos ter, do que queríamos. Sim, é urgente deixarmos de nunca estar satisfeitos com nada e passarmos a dar mais valor ao tanto que já temos!

É urgente ser fiel a quem somos. E não deixar que o mundo nos anule com os seus preconceitos, as suas limitações e expetativas. É urgente sermos verdadeiros, genuínos, autênticos. E dizer o que nos incomoda, o que nos aflige e o que nos falta, com a mesma naturalidade com que dizemos o que nos faz felizes. É urgente aceitarmo-nos a nós da mesma forma que aceitamos o outro. É urgente, mesmo assim, querermos, por iniciativa própria, ser cada vez melhores do que já somos!

É urgente amar. Levantar um pé do chão, durante um beijo, e ronronar durante um abraço. Fazer promessas de amor para sempre, mesmo que o «para sempre» seja apenas até à próxima semana. É urgente beijar de olhos fechados; fazer amor lentamente; deixar recados no espelho da casa de banho; rir a dois e aprender a chorar, a todos os pulmões, abraçado ao outro. É urgente acreditar que a vida acaba, quando acaba um grande amor. Sim, é urgente amar, cega e apaixonadamente!

Por fim, mas não menos urgente, é urgente nunca desistirmos de nós. Mesmo quando um sonho não se realiza. Mesmo quando um grande amor acaba. Mesmo quando não conseguimos ir ao nosso ritmo. Ou mesmo quando houver dias em que não conseguimos apreciar o lado mais luminoso da vida. É urgente não desistirmos nunca de quem somos e da vontade de sermos felizes. É urgente valorizarmo-nos e exigirmos que nos valorizem. É urgente sermos os primeiros a gostar de nós!

E é urgente, todos os dias!

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Laura Almeida Azevedo
36 anos. Apaixonada por palavras, desenho e comunicação. Viciada em música e chocolates. Fascinada por pessoas, emoções e cidades grandes. Licenciada em Jornalismo. Designer gráfico, ilustradora e autora do livro «Apetece(s)-me». E a desafiadora-mor da plataforma de escrita criativa: Desafio-te.