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Nunca mais o amor me saberá ao mesmo sem ti

Nunca mais o amor me saberá ao mesmo sem ti

Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Éramos crianças quando nos conhecemos. Tínhamos vontade de percorrer o mundo — e dizíamos, tantas vezes, que juntos iríamos descobrir o Japão e beber sumos de coco nas praias das Maldivas. Achávamos que podíamos ser tudo o que quiséssemos e que a vida só dependeria de nós, do que queríamos, daquilo em que acreditávamos. Eu queria ser médica. Tu querias ser professor. De matemática.

Contigo aprendi tanto. Contigo aprendi a jogar ao berlinde, a subir os muros e a admirar em silêncio o céu escuro da noite, coberto de estrelas, de mãos dadas, entrelaçadas. Fazíamos promessas de amor, que tínhamos a absoluta certeza de que iríamos cumprir. Dançávamos à chuva e víamos quem chegava primeiro à rebentação e se afoitava num mergulho repentino, mesmo que a água do mar estivesse tão gelada, que só a ideia nos arrepiava. Depois, adormecíamos no conforto do abraço um do outro, na nossa cama, quando já éramos grandes, adultos, e a vida já era tanto do que queríamos.

Partiste quando eu ainda acreditava que só dependeria de ti e de mim manteres-te vivo. Partiste quando eu ainda acreditava que a vida poderia ser o que queríamos. Que bastaria acreditarmos. Que bastaria desejar com todas as forças. Que bastaria quere-lo a cada minuto, a cada segundo dos nossos dias. E eu desejei tanto que ficasses. E eu quis tanto, com todas as minhas forças, que provássemos à vida que ela não decide por nós. Que ela não nos arranca, desta maneira funda e repentina, autónoma, a esperança de sermos felizes, a capacidade de sorrirmos, o vontade de dançarmos à chuva e a saúde física e mental para resistirmos, para continuarmos, sempre e apesar de tudo.

Olho para trás e sei. Foste o meu primeiro amor. Talvez o último. E, mesmo que volte a amar depois de ti, nunca mais o amor me saberá ao mesmo, sem ti. Nunca mais vou poder aprender a jogar às cartas nos intervalos das aulas, como aprendi contigo. E, sempre que a lua e as estrelas brilharem no céu, onde e com quem quer que eu esteja, sei que foi contigo que aprendi a observá-las em silêncio, com o coração a transbordar do peito, com a felicidade no olhar e no sorriso, de mãos dadas.

Só contigo acreditei que a vida poderia ser tudo o que quiséssemos.

Só por nós acreditei que só depende de nós.


Olá! Eu sou a Laura, a autora deste blog e do livro «Apetece(s)-me». Sou também freelancer em desenho gráfico, ilustração, redação de conteúdos e gestão de redes sociais. Paixões? As mais simples: escrever, desenhar, música, varandas e cidades grandes. Atualmente, vivo em Londres!

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