Um (quase) amor como nos filmes

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apeteces-me_358Acredito num (quase) amor como nos filmes — não por acreditar que existem amores perfeitos, mas porque acredito que existem amores bonitos, doces, que perduram. Não por ser uma romântica, mas porque acredito que as possibilidades, num mundo habitado por biliões de pessoas, são quase infinitas. Porque não poderia haver, entre tantos tipos de amores, um (quase) amor como nos filmes?

Acredito num amor que seja tão completo e verdadeiro, que quase pareça ter sido feito à medida de quem o vive. Num amor que dê vontade de abraçar com força, de partilhar tudo, de sonhar a dois, de acreditar em impossíveis — e de tornar os impossíveis em possíveis. Acredito num amor onde ambos se conheçam tão bem, que basta olharem um para o outro para saberem o que o outro pensa e sente, numa espécie de telepatia que não se explica. Num amor que não magoe, que não diga palavras que ferem, que transforme os problemas em gargalhadas e que faça qualquer dificuldade parecer tão simples. Acredito num amor que seja intemporal; que vá além da razão; que não se deixe condicionar por nada, nem por ninguém; que tenha vontade de ser cada vez mais forte e que, naturalmente, se torne cada vez mais coeso — mesmo quando tudo acontece de forma inesperada, indesejada e menos certa. Num amor que não pareça ser deste mundo, mas do outro, de uma outra vida — mesmo não fazendo ideia se esse mundo existe, ou essa outra vida, mas capaz de acreditar nele por amor. Acredito num amor delicado, terno, apaixonado, protetor, risonho, cúmplice. Num amor romântico, ardente, leve, solto, genuíno. E, sim, irrepetível — porque acredito que só se tem capacidade emocional para viver um amor assim uma vez na vida.

Sim, acredito num (quase) amor como nos filmes, que traga tudo isto dentro — e tanto mais. Mas também sei, do alto do meu talvez romantismo, ou da mera probabilidade estatística, num mundo habitado por biliões de pessoas, que a maioria de nós não vive um amor assim.

A maioria de nós vive um amor comum, humano, desta vida, que tem tanto do que tem um (quase) amor como nos filmes, mas nem sempre; que poderia ser melhor, mais e maior do que é, mas que, mesmo assim, é já tanto. E que — mais importante do que tudo — não deixa, só por isso, de ser amor.

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Laura Almeida Azevedo
36 anos. Apaixonada por palavras, desenho e comunicação. Viciada em música e chocolates. Fascinada por pessoas, emoções e cidades grandes. Licenciada em Jornalismo. Designer gráfico, ilustradora e autora do livro «Apetece(s)-me». E a desafiadora-mor da plataforma de escrita criativa: Desafio-te.