E eu choro em ti

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Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Porto,

os teus cabelos são ruas onde me perco. Os teus abraços são bancos de jardim onde me fico, em repouso, a apreciar a vida. O teu silêncio tem melodia, palavras de amor e aconchego. A tua voz tem promessas largadas no rio, com a luz da cidade a iluminar a ribeira.

Porto,

os meus passos frágeis percorrem-te a pele devagar. Vão curiosos, com vontade de viver em ti, de sentir a vida que lhes dás. Os meus olhos deitam-se no rio, com o calor do sol na minha pele. Os raios de luz debruçam-se sobre a paisagem, com o sorriso brando, que é saudade, magia e mágoa.

Porto,

enquanto aqui estou, de mãos dadas contigo, anoitece nos meus olhos. Em cada anoitecer, há amor. Em cada amanhecer, saudade. Em cada fechar de olhos, a lembrança de ti, do que resta de nós. E do tanto que guardas nos teus braços.

Porto,

és rio Douro, juventude e poesia. És esperança e fascínio, deslumbramento e segredo. És os meus olhos atentos de quinze anos e o meu olhar melancólico de trinta e seis.

Hoje, deixo-me ficar contigo neste silêncio, que partilhamos. Dezembro é magia. Dezembro olha-nos. Dezembro sorri e chora em nós.

E eu choro em ti.

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Laura Almeida Azevedo
36 anos. Apaixonada por palavras, desenho e comunicação. Viciada em música e chocolates. Fascinada por pessoas, emoções e cidades grandes. Licenciada em Jornalismo. Designer gráfico, ilustradora e autora do livro «Apetece(s)-me». E a desafiadora-mor da plataforma de escrita criativa: Desafio-te.