Hoje, acordei contigo

Ilustração © Laura Almeida Azevedo

Ilustração © Laura Almeida Azevedo, autorretrato

Hoje, acordei contigo. Mais uma noite e mais uma manhã em que me deitei e acordei contigo. Não ao meu lado, porque já aqui não estás. Mas contigo, em mim.

Hoje, acordei contigo e quase não conseguia respirar. Um nó na garganta. Um aperto no peito. Fiquei ali apenas a relembrar-te. Sem vontade de aceitar o novo dia. Sem forças para me levantar. A ouvir-te. A passear contigo. De mãos dadas contigo. No teu abraço. Nesse abraço que nunca te dei, porque a vida nunca nos permitiu esse tempo. Nesse abraço que te dou, tantas e tantas vezes, em pensamento.

Hoje, acordei contigo, como em tantas outras manhãs. Esta não foi a primeira, nem será a última. Basta-me que alguém me fale de ti, que o teu nome surja à minha frente. E tudo ressurge, de repente, como se tivesse sido ontem.

Hoje, mais uma vez, acordei contigo e senti o que sinto sempre: que acordar contigo é agridoce. Porque a saudade dói. É a falta que me fazes. É o que sinto por ti, ainda. Mas porque esta é também a única forma que tenho de te reencontrar. De olhos fechados, aqui.

E, por isso — mesmo doendo, doendo —, quando chegas, quando te deitas comigo, quando acordas em mim, nunca, mas nunca quero que vás.

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Designer, ilustradora, copywriter e autora. Apaixonada por comunicação, pessoas e cidades grandes. Uma portuguesa a viver em Londres.

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