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Esquece-o: por ti

Esquece-o: por ti

Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Esquece-o. Precisas de o fazer. Nada do que aconteceu importa já. Morreu-te nos braços, com palavras doces, que ainda ouves, e de olhar fixo no teu. Morreu-te à frente dos olhos, nas tuas mãos frágeis, trémulas, de coração a bater como um louco.

Esquece-o. Precisas de seguir em frente. O passado já não pode ter o peso que ainda lhe dás. Já não faz sentido que o tenha. A vida acontece agora: onde ele já não está. E não espera. A vida não espera pelo que te morreu nos braços.

Esquece-o. Enterra o que sentiste. Tudo. Agora, o que sentiste — e ainda sentes — é apenas vão. Liberta-te. Dança. Escreve tudo. Fá-lo todas as vezes que precisares de lhe dizer adeus. Mas fá-lo: despede-te dele. Um dia, quando deres por ti, a presença dele será tão subtil quanto uma névoa quase invisível, impercetível.

Esquece-o. Não por ele. Por ti. Sempre por ti. Porque ele, por ele, deixou-se morrer: para ti. Porque ele, por ele, seguiu em frente: sem ti. Por ti, deixa-o estar assim: morto. Por ti, não remexas mais no que aconteceu. Por ti, avança. Por ti, sê feliz, de novo.

Por ti, apenas por ti, esquece-o. Por ele, apenas por ele, ele esqueceu-te.


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Designer, ilustradora, copywriter e autora. Apaixonada por comunicação, pessoas e cidades grandes. Uma portuguesa a viver em Londres.

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