O tempo é só tempo, meu amor

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O tempo é só tempo, meu amor. Tem nele dias, semanas, meses e anos. Tem nele o ontem e, ao mesmo tempo, o hoje e o amanhã. E, às vezes, consegue até dar as respostas de que mais precisamos e que não queríamos aceitar sozinhos. Às vezes, o tempo desnuda a verdade, abre as janelas do coração e permite que este veja que a vida, para lá do parapeito inseguro, é ainda demasiadamente grande para que a recusemos viver. Às vezes.

Porque o tempo é só mesmo isso, meu amor: tempo. E, por mais que queiramos acreditar que a sua existência é suficiente para derrubar todas as convicções e matar todos os sentimentos, não é. O tempo não se arrepende, não chora, não sente saudades, não precisa de verdade. Tudo isto cabe a nós, meu amor. Nós: pessoas. Nós: coração. E é assim que vivemos: numa dimensão paralela ao tempo, que, apesar de parecer ir na mesma direcção que ele, lhe é completamente independente.

Por isso, nem sempre o tempo desnuda a verdade. Nem sempre abre as janelas do coração e nem sempre permite que este veja que a vida, para lá do parapeito inseguro, é ainda demasiadamente grande para que, sim, a recusemos viver. Nem sempre, meu amor.

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Laura Almeida Azevedo
36 anos. Apaixonada por palavras, desenho e comunicação. Viciada em música e chocolates. Fascinada por pessoas, emoções e cidades grandes. Licenciada em Jornalismo. Designer gráfico, ilustradora e autora do livro «Apetece(s)-me». E a desafiadora-mor da plataforma de escrita criativa: Desafio-te.