Há dias, meu amor

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Há dias, meu amor, em que o mundo deveria ficar sossegado. Não deveria ter a ousadia de nos dirigir uma só palavra. Deveria deixar-se ficar em silêncio, dando-nos espaço e tempo para olharmos a vida lá fora. Poderia repousar as mãos no nosso colo e, enquanto a cidade adormecesse no peito da noite, ficaríamos apenas aqui: a olhar delicadamente um para o outro. Quando fosse já madrugada, adormeceríamos, por fim, com a certeza de que amanhã seria um novo dia: um novo dia onde pudéssemos ser ainda tudo.

Há dias, meu amor, em que o amor deveria repousar em nós. Só assim: sem esta necessidade constante de o tentar entender. Deveria deixar-se ficar no nosso peito, sem medos, amarras ou constrangimentos. Poderia beijar-nos devagarinho, como quem precisa de sentir a suavidade doce da pele e a ternura a brilhar nos olhos fechados. Quando fosse já dia e ainda enroscados um no outro, ouviríamos em silêncio a cidade a acordar.

Há dias, meu amor, em que tudo deveria ser diferente.


Designer, ilustradora, copywriter e autora. Apaixonada por fotografia, pessoas, cidades grandes e esplanadas com luz.

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