Cada novo segundo sem ti

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O mundo pára. Fica num silêncio absoluto. Nele, tem manhãs que não suportam a luz. Nele, tem manhãs que choram e que não conseguem sair do silêncio. Manhãs com olhos fundos, com mãos que não podem agarrar, com folhas finas e frágeis que sofrem ao caírem das árvores.

O mundo pára e fica, assim, em silêncio, só a observar o coração — e a dor, a angústia, a ausência, o adeus. O adeus que quer ser luz, mas que precisa de olhos que consigam sorrir e de folhas finas que possam embelezar as árvores, de onde não precisariam nunca de ter de cair.

E, quando o mundo pára, sem dizer nada, choram também as ruas e as casas das cidades, as minhas mãos sem as tuas e o meu olhar sem ti. Toda esta agonia do mundo — que, em silêncio, se instalou aqui — é a manhã, que não quero acordar, e o luto fundo em mim.

Quando o mundo pára, pára também o meu coração. O meu coração: que chora, luta e estrebucha e que, por fim, quase, quase desiste desta luta desenfreada para continuar vivo — a cada novo segundo sem ti.


Designer, ilustradora, copywriter e autora. Apaixonada por comunicação, pessoas e cidades grandes.

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