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A sós contigo

A sós contigo

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Sou eu. Estou aqui. Trago, em mim, tudo o que sinto. Trago, em mim, tudo o que sou: o melhor e o pior. Tudo o que me consome. Tudo o que me angustia e faz sorrir — esse mesmo sorriso de quando tinha cinco anos. Tudo o que sinto vontade de abraçar — e tudo o que tenho medo de ter demasiado perto de mim. Tudo o que me atordoa e tudo o que me faz feliz. Tudo o que me mete lágrimas nos olhos, como se me arrancasse também a pele do corpo e a força de dentro do peito. E tudo o que me faz respirar ainda mais fundo e, apesar de tudo — sempre apesar de tudo —, querer tanto continuar.

Sou eu. E estou aqui. Trago, em mim, a imperfeição de nem sempre saber como agir. A angústia de nem sempre tomar as decisões mais certas — e nos momentos mais adequados. Nesses: que precisam. Nesses: que têm urgência. Nesses: que sonham tudo. Trago, em mim, a desordem de ter o coração cheio: e de tudo dele transbordar. De ter vontade de abraçar o mundo — mas, sobretudo, de te abraçar. De querer voar sobre as árvores — mas contigo. De precisar do riso e do abraço como quem precisa do ar — mas, em especial, dos nossos.

Trago, em mim, a ansiedade de te querer tanto e o medo gélido de falhar. De não conseguir estar quando necessitas. De não saber ser quem precisas. O medo de te amar tanto, tanto, que a vertigem do amor me desequilibre — e me atire ao chão. O medo de amar demasiado. Tudo. De precisar tanto. E de tudo.

[O medo de falhar tudo.]

Sou eu. E estou aqui, assim: tão forte; tão, tão vulnerável.

[Não saberia estar aqui — a sós contigo — de outra forma.]


Designer, ilustradora, copywriter e autora. Apaixonada por comunicação, pessoas e cidades grandes.

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