Algodão doce

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Fico, por aqui, assim, com o amor na minha boca. O amor que tem sabor a algodão doce e que, por vezes, se deita na minha língua. Noutras, como se tivesse três anos de idade, atira-se sem pára-quedas para a minha traqueia e cai directo no meu coração. E, como se o meu coração fosse uma cama elástica capaz de entreter a demora do amor, deixa-se assim ficar: nesse pular frenético sobre o meu coração, fingindo-se verdadeiramente distraído desta ausência tão angustiante de ti.

Fico, por aqui, assim, com o amor na minha boca. Às vezes, esta espera é tanta que quase desfaz o amor em pedacinhos. Pedacinhos pequeninos de amor que tenho todo o cuidado para não perder de vista. E é tudo tão demasiado. É tão demasiado este tempo de espera, amor. Este tempo que o nosso beijo-à-espera já tem. O beijo que faz promessas cheias de açúcar. O beijo que sabe, como o amor, a algodão doce.

Fico, tão por aqui, com o amor na minha boca, amor. E, enquanto assim me fico, pergunto-me: quanto mais tempo temos de esperar para saborearmos juntos, enquanto nos passeamos de mãos dadas pelo mundo, este algodão doce feito de amor?

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Laura Almeida Azevedo
36 anos. Apaixonada por palavras, desenho e comunicação. Viciada em música e chocolates. Fascinada por pessoas, emoções e cidades grandes. Licenciada em Jornalismo. Designer gráfico, ilustradora e autora do livro «Apetece(s)-me». E a desafiadora-mor da plataforma de escrita criativa: Desafio-te.