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Morro lentamente

Morro lentamente

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Morro lentamente a cada dia sem ti. É assim que me sinto, mesmo sabendo que já ninguém morre por amor. Mas os meus dias sem ti são isto: uma morte lenta e silenciosa. Os meus dias sem ti são céus cinzentos e noites frias, cheias de insónias. Podia até dizer-te que, sim, os meus dias sem ti morrem por amor. Mas, como te disse agora, já ninguém morre por amor nos dias de hoje — nem mesmo os dias. É, pelo menos, o que se diz por aí: por esse mundo que, se calhar, não sente urgência, nem falta. Esse mundo que, se calhar, não ama.

Morro lentamente a cada dia sem ti. É assim que me sinto, mesmo sabendo que o que sinto é o exagero de te querer demasiado e de, por isso, não saber gerir esta ausência toda: do teu sorriso, das tuas palavras a dançarem com as minhas, do teu silêncio a abraçar o meu. Este exagero aflito que dói. E que quase justifica a morte por amor — essa mesma que, mesmo já não morrendo nos dias de hoje, ainda parece conseguir ir morrendo aos poucos, em mim, a cada dia sem ti.

Morro lentamente a cada dia sem ti.

[Se nos encontrássemos hoje, diz-me: precisaríamos de muito mais do que apenas um do outro para salvarmos o amor?]


Designer, ilustradora, copywriter e autora. Apaixonada por comunicação, pessoas e cidades grandes. Uma portuguesa a viver em Londres.

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