Reaprender a gostar

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Na altura, não consegui explicar-te que o amor também dói. Agarrei nas minhas coisas e desapareci. Quis, lá no fundo, esquecer-nos. Apagar-nos da memória. Quis esquecer que o amor, apesar de doer, também tem dias que dão um sentido à vida.

Quando nos queremos despedir de alguém, as memórias boas são aquelas que devemos apagar em primeiro lugar. Sem elas, o adeus é mais suportável. Sem elas, a dor dói menos. A curto e a longo prazo.

Não, não foi por falta de amor por ti que vim. Ainda o sinto, como uma segunda pele. Vim embora por precisar de reaver o meu amor por mim.

É que, por vezes, amamos tanto uma pessoa que nos esquecemos do amor que devemos sentir por nós próprios. E precisamos de tempo e de espaço para reaprender a gostar, acima de tudo, de nós.

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Laura Almeida Azevedo
36 anos. Apaixonada por palavras, desenho e comunicação. Viciada em música e chocolates. Fascinada por pessoas, emoções e cidades grandes. Licenciada em Jornalismo. Designer gráfico, ilustradora e autora do livro «Apetece(s)-me». E a desafiadora-mor da plataforma de escrita criativa: Desafio-te.