Há quanto tempo não dizemos o amor?

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Deixámos de falar um com o outro, sobre o que sentimos, há quanto tempo? Não te lembras. Nem eu me lembro. Fomos ficando dentro do silêncio, sem percebermos que as palavras — aos poucos — começavam a cansar-se de serem ditas. Fomos ficando sem iniciativa para fazermos pelo outro o que gostaríamos que o outro fizesse por nós. Mas, se nos perguntassem, a culpa não era nossa. Era da rotina. Era dos dias longos de trabalho, das birras das crianças, das dores no pescoço, das famílias, da crise e dos sonhos que não tinham força para serem mais do que isso. A culpa era de tudo e de todos — menos nossa.

Há quanto tempo não nos sentamos, aqui, para dizermos o amor? Ou a tristeza, a revolta, os dias longos que não nos abraçam e os segredos que já não beijam as nossas bocas? Não sei. Nem o sabes tu. Perdemo-nos um ao outro com a vida que levamos. Não foi de propósito. Eu gosto de ti e tu gostas de mim — eu sei. Mas perdemo-nos um ao outro mesmo assim. Por motivo nenhum especial. Foi apenas porque foi. Foi porque a vida é mesmo assim, meu amor.

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Laura Almeida Azevedo
36 anos. Apaixonada por palavras, desenho e comunicação. Viciada em música e chocolates. Fascinada por pessoas, emoções e cidades grandes. Licenciada em Jornalismo. Designer gráfico, ilustradora e autora do livro «Apetece(s)-me». E a desafiadora-mor da plataforma de escrita criativa: Desafio-te.