Esta paixão doente

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ApetecesmeWebsite207

De nada me [nos] adianta dizer-te o que sinto. Não há palavras que cheguem para descrever esta paixão doente que tira o sentido a uma vida sem ti. E também não te posso contar uma mentira. Esta: de não me fazeres falta, de não precisar de ti, da tua ausência não me doer. Esta mentira óbvia que iria tropeçar nos meus lábios e desmascarar-me.

De nada me [nos] adianta enganar-nos. Mesmo que fazê-lo até fosse melhor. E que a mentira ajudasse a decidir rumos que um coração a ferver não consegue decidir. Rumos que me fizessem viver até melhor comigo — sem esta culpa muda pelo que sinto, secretamente, por ti.

Mas a paixão é assim. E tira o fôlego. Põe insónias nas noites. Aperta o estômago. Desequilibra as emoções. Mais do que isso: não mente as palavras. É demasiado egoísta para ter calma. Demasiado urgente também. Não se preocupa. Não espera por nada, nem por ninguém.

E, apesar de haver uma parte de mim que vive presa a esta culpa, há outra parte de mim que sabe que é isto que dá sentido à vida — e que uma vida com sentido é o que todos nós, sem excepção, merecemos viver.

[E agora?]

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Laura Almeida Azevedo
36 anos. Apaixonada por palavras, desenho e comunicação. Viciada em música e chocolates. Fascinada por pessoas, emoções e cidades grandes. Licenciada em Jornalismo. Designer gráfico, ilustradora e autora do livro «Apetece(s)-me». E a desafiadora-mor da plataforma de escrita criativa: Desafio-te.