Os meus olhos

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[Fotografia © Isabel Cortés Úbeda, Flickr]
[Fotografia © Isabel Cortés Úbeda, Flickr]
Os meus olhos observam os detalhes que não sabem usar palavras. Os meus olhos gritam sentimentos que estão no lume lento da minha carne. E tropeçam nas emoções: que se atropelam, umas às outras, de tão urgente que é a voz que ainda não têm. Os meus olhos mastigam a dor, quando não podem chorar. Escondem o desespero, quando não devem mostrar fragilidade. E choram com força, exaustos — quase morrendo na dor que não conseguem atenuar.

Mas também riem. Riem das pequenas ironias: que mostram que a vida tem sempre um lado melhor. E dançam com a música, quando esta entra no meu corpo.

Os meus olhos dizem tudo: à sua maneira. E todos os dias. São a minha voz mais funda. Aquela que conta a minha história de forma inteira. A voz que pode ficar rouca, mas nunca muda. A voz que tanto diz — sem ter sequer de se preocupar com as palavras.

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Laura Almeida Azevedo
36 anos. Apaixonada por palavras, desenho e comunicação. Viciada em música e chocolates. Fascinada por pessoas, emoções e cidades grandes. Licenciada em Jornalismo. Designer gráfico, ilustradora e autora do livro «Apetece(s)-me». E a desafiadora-mor da plataforma de escrita criativa: Desafio-te.