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Os meus olhos

Os meus olhos

[Fotografia © Isabel Cortés Úbeda, Flickr]

[Fotografia © Isabel Cortés Úbeda, Flickr]

Os meus olhos observam os detalhes que não sabem usar palavras. Os meus olhos gritam sentimentos que estão no lume lento da minha carne. E tropeçam nas emoções: que se atropelam, umas às outras, de tão urgente que é a voz que ainda não têm. Os meus olhos mastigam a dor, quando não podem chorar. Escondem o desespero, quando não devem mostrar fragilidade. E choram com força, exaustos — quase morrendo na dor que não conseguem atenuar.

Mas também riem. Riem das pequenas ironias: que mostram que a vida tem sempre um lado melhor. E dançam com a música, quando esta entra no meu corpo.

Os meus olhos dizem tudo: à sua maneira. E todos os dias. São a minha voz mais funda. Aquela que conta a minha história de forma inteira. A voz que pode ficar rouca, mas nunca muda. A voz que tanto diz — sem ter sequer de se preocupar com as palavras.


Designer, ilustradora, copywriter e autora. Apaixonada por fotografia, pessoas, cidades grandes e esplanadas com luz.

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