Em lume brando

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Hoje, o mundo bem que podia ficar, aqui, sentado ao meu lado. Em silêncio. E deixar-me vaguear pelos meandros torpes das minhas emoções. Não me exigir mais do que aquilo que consigo dar. Não me fazer perguntas. Não esperar de mim quaisquer gestos só porque, algures, é suposto agir — sim, só porque é suposto.

Hoje, o mundo bem que podia deixar o meu coração em paz. Deixá-lo bater ao seu próprio ritmo. Deixá-lo numa espécie de lume brando, embriagado pelo próprio sangue. Esse: dentro da carne do meu corpo.

E talvez — quando eu estiver, de novo, pronta; quando eu for, de novo, capaz de ir pelos meus próprios passos; quando já não precisar deste silêncio todo à minha volta —, nos possamos amparar um no outro.

Levantarmo-nos.

E seguirmos juntos — mais fortes do que nunca — na direção dos sonhos.

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Laura Almeida Azevedo
36 anos. Apaixonada por palavras, desenho e comunicação. Viciada em música e chocolates. Fascinada por pessoas, emoções e cidades grandes. Licenciada em Jornalismo. Designer gráfico, ilustradora e autora do livro «Apetece(s)-me». E a desafiadora-mor da plataforma de escrita criativa: Desafio-te.