Quando escrevo

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Quando escrevo, a minha vida inteira fica ali sentada no canto. Cruza as pernas e recosta-se. Fala comigo. Canta alto nas pausas daquilo que me diz. Atira-me almofadas. Levanta-se e vem espreitar por cima do meu ombro para ler-me.

Quando escrevo, tento pensar no que devo e no que não devo escrever. E é então que vos vejo à minha frente: a ti, a ti e a ti. Quem viveu a minha vida comigo. Os lugares onde a vivi. E tudo se mistura.

Metade do que escrevo é sobre ti. E a outra metade do que escrevo é sobre ti, aí. E o espaço, entre as linhas do que escrevo, é o silêncio das palavras que nunca te disse a ti que aí estás do outro lado.

E é no meio desta confusão que me fico e que brinco com as palavras.

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Laura Almeida Azevedo
36 anos. Apaixonada por palavras, desenho e comunicação. Viciada em música e chocolates. Fascinada por pessoas, emoções e cidades grandes. Licenciada em Jornalismo. Designer gráfico, ilustradora e autora do livro «Apetece(s)-me». E a desafiadora-mor da plataforma de escrita criativa: Desafio-te.